Redação Dissertativa


PUNIÇÃO PEDAGÓGICA

Fonte: Zero Hora


Ao afastar a torcida do Corinthians dos jogos da Libertadores, a Confederação Sul-Americana de Futebol pune o clube e diz aos torcedores que eles não podem mais ser coniventes com quem vai ao estádio para brigar, para depredar ou para agredir adversários.

É fácil identificar uma injustiça, difícil é fazer justiça. O episódio da morte do jovem boliviano atingido por um sinalizador pirotécnico supostamente lançado por torcedores do Corinthians enquadra-se perfeitamente no axioma proposto na abertura deste comentário. Pode haver algo mais injusto do que um adolescente ir ao estádio de futebol torcer para seu time e sair de lá morto, alvejado no olho por um artefato de guerra? Como explicar uma barbárie dessas para a família da vítima, para os amigos e até mesmo para quem só acompanha o caso pelo noticiário? Dizer que é uma fatalidade chega a ser ofensivo, pois não caiu um meteorito sobre o estádio. Se não é fatalidade, é crime. E, se é crime, alguém deve ser responsabilizado.
E aí entra uma das questões mais complexas e polêmicas das sociedades civilizadas: como identificar, julgar e punir quem efetivamente merece a punição, especialmente em ambientes de altíssima voltagem emocional como no caso referido. Se o futebol já acirra a rivalidade na simples disputa esportiva, um incidente trágico como esse, envolvendo torcedores de países diferentes, tende a gerar um contencioso diplomático. Tanto que, tão logo constataram a gravidade do fato, os torcedores bolivianos presentes ao estádio de Oruro passaram a hostilizar os jogadores do Corinthians e a chamar os brasileiros de assassinos.
No campo esportivo, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) agiu rápido, condenando administrativamente o time brasileiro a disputar o restante da Copa Libertadores sem a presença de sua torcida nos estádios. Terá que jogar com os portões fechados quando for mandante do jogo e não terá direito a ingressos quando for visitante. Ainda que o clube não aceite e prometa recorrer, é inquestionável que a medida tem um componente pedagógico, pois obriga os clubes de futebol a exercerem um controle maior sobre seus torcedores _ embora se saiba que o controle total é absolutamente impossível. E também impõe novas responsabilidades aos próprios torcedores, que não podem mais ser coniventes com quem vai ao estádio para brigar, para promover depredações ou para agredir adversários.
O mais justo, todos sabemos, seria a identificação do torcedor irresponsável que arremessou o artefato perigoso na direção da torcida adversária. Na impossibilidade de chegar a essa conclusão, a polícia boliviana prendeu 12 brasileiros suspeitos e os está indiciando por homicídio, dois deles como autores diretos do crime e os outros 10 por cumplicidade. Ainda que o autor do arremesso criminoso esteja nesse grupo, um simples raciocínio lógico indica que os outros 11 podem estar sendo de certa forma injustiçados. Espera-se que todos tenham o direito de se defender, para que a revolta e o natural desejo de vingança não prevaleçam sobre a verdade.
Mas a responsabilização compartilhada do clube e de sua torcida serve de exemplo para quem não entendeu ainda que o futebol deve ser um espetáculo de paz, diversão e competição saudável.

Fim

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Redação dissertativa 815: Tema: torcida do Corinthians.Tópicos: redação dissertativa pronta, torcedor de futebol, torcedores de futebol, estádio de futebol, segurança nos estádios de futebol, injustiça, fazer justiça, morte do torcedor boliviano, sinalizador pirotécnico, torcedores do Corinthians, barbárie, noticiário de TV, fatalidade, crime, torcida organizada, sociedades civilizadas, punição, rivalidade, disputa esportiva, contencioso diplomático, torcedores bolivianos, time brasileiro, torcida nos estádios, responsabilidades dos torcedores, torcedor irresponsável, torcida adversária, crime de homicídio, cumplicidade, desejo de vingança, responsabilização de torcedor de futebol.



Qualquer texto, publicado nesta seção, visa a, tão-somente, servir de modelo de redação dissertativa para alunos, pessoas que se preparam a um vestibular ou concurso, ou mesmo para aquelas cujo objetivo é o seu deleite e aprendizagem da arte de redigir. Portanto, os temas não se evidenciam pela cronologia, mas sim como paradigmas de exposição de ideias e opiniões. Assim, uma redação dissertativa, que se refere a um assunto desatualizado, pode ser um excelente exemplo para se redigir sobre o respectivo tema mesmo em outra época.