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A ETERNIDADE


A frase à entrada do Templo Positivista, na Avenida João Pessoa, em Porto Alegre, é um alerta ou advertência: “Os vivos são sempre, e cada vez mais, governados necessariamente pelos mortos”. Rememoro a sentença de Auguste Comte em função de duas mortes, aqui, o advogado Justino Vasconcellos; em Brasília, o pintor Glênio Bianchetti. Festejar a vida é viver o que foram os mortos, recordá-los não como perda, mas na respeitosa alegria do exemplo que deixam.

Na aparência, estes dois rio-grandenses pouco tinham em comum. O advogado Justino presidiu a OAB gaúcha nos prepotentes anos da ditadura, era católico e conservador. Centrista em política, em 1964 apoiou o golpe de Estado, de boa-fé como milhares de outros, atropelado pela propaganda da paranoia anticomunista da Guerra Fria. Ao deparar-se com o terror da ditadura (implantada em nome da “liberdade”), enfrentou o poder. Visitava presos políticos na madrugada, para flagrar torturas e interceder pelas vítimas.

O pintor Glênio Alves Bianchetti era comunista, foi preso no golpe de 1964, logo demitido da Universidade de Brasília, onde dirigia o Departamento de Artes, por “exorbitar no uso do vermelho” em suas aulas de estética. Isso só podia ser propaganda política… O bageense Glênio dominava todos os ramos das artes plásticas, inovou o sentido da cor e dos planos, foi um ser humano íntegro e completo. Politizado, semanas atrás confessou em entrevista neste jornal: “A política atual me dá nojo!”.

Ambos, advogado e pintor, não se conheceram, mas se uniam por elos comuns: tinham a ética da bondade como norma de vida, eram independentes e apaixonados pelo trabalho, a solidariedade e a Justiça. Assim, viveram a mesma causa e morreram abraçados nela.

O destino inevitável é morrer um dia. Cada um de nós morrerá, tal qual nascemos. Até Matusalém, o personagem bíblico da longevidade, desapareceu. A inevitabilidade da morte, porém, só engrandece a vida. Por isto, escrever sobre os mortos é exaltar a vida.

Sou dos que acreditam na eternidade. Não me refiro ao fetichismo místico de subir aos céus no cimo de uma nuvem num distante Dia do Juízo Final, em busca de recompensas. Nem ao delírio dos islâmicos que se autoexplodem com bombas, em imolação fanática, para desfrutar o Paraíso junto a 40 mil virgens. Essas coisas são apenas metáforas ou alegorias da verdadeira eternidade construída no cotidiano. Eterno é o exemplo que deixamos. É isto que perdura pelos séculos dos séculos e jamais desaparece.

O que permanece e desafia a morte é o que fizemos em vida. Não importa a publicidade do ato. A vida silenciosa de Madre Teresa de Calcutá deixará mais sons e mais luzes, séculos afora, do que a voz e a coreografia ruidosa do palco de Madonna. A não-violência de Gandhi pôde mais que as armas do Império Britânico. Che Guevara sobrevive ao sargento boliviano bêbado que matou o prisioneiro ferido e algemado. Mandela preso derrotou o Apartheid. Chico Mendes e a Irmã Dorothy Stang seguem vivos na Amazônia.

A vida é construção perene, dia a dia. O que vivemos hoje vem daqueles que se foram. A condição essencial da vida é morrer um dia e permanecer pelo exemplo. A eternidade é isto.

Fim


(Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/?topo=13,1,1,,,13, Flávio Tavares)

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Redação dissertativa N/S-1085: Tema: finitude humana.Tópicos: redação dissertativa pronta sobre um bom exemplo, anos da ditadura, golpe de Estado, redação dissertativa, a boa-fé, guerra fria, como fazer uma redação dissertativa, unb vestibular, liberdade, redação pronta sobre a eternidade, tortura, propaganda política, redação pronta sobre vivos e mortos, artes plásticas, política atual, redação pronta sobre ditadura militar, ética, bondade, redação pronta sobre o destino, norma de vida, solidariedade, redação pronta sobre justiça, longevidade, fetichismo, redação pronta sobre o exemplo que deixamos, imolação.

Qualquer texto, publicado nesta seção, visa a, tão-somente, servir de modelo de redação dissertativa para alunos, pessoas que se preparam a um vestibular ou concurso, ou mesmo para aquelas cujo objetivo é o seu deleite e aprendizagem da arte de redigir. Portanto, os temas não se evidenciam pela cronologia, mas sim como paradigmas de exposição de ideias e opiniões. Assim, uma redação dissertativa, que se refere a um assunto desatualizado, pode ser um excelente exemplo para se redigir sobre o respectivo tema mesmo em outra época.