Redação em 7 Lições

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Redação Dissertativa


LIBERDADE AMEAÇADA

Fonte: Gazeta do Povo, Luiz Damon Santos Moutinho


A Gazeta do Povo manifesta em editorial (“Desagravo inoportuno”, em 29 de novembro) sua repulsa a uma manifestação pública (“um dos pontos baixos da história política do Paraná”, “acinte” etc). Esse tom retumbante é contra uma manifestação pró-fascista, racista, pró-violência, algo tenebroso e que mereça tanto zelo vigilante por parte da Gazeta?

Não, não é nada disso. É um debate público no Sindicato dos Jornalistas, aberto a quem se interessar, sobre o julgamento no STF da AP 470. Evidentemente, é também um ato de solidariedade aos militantes petistas condenados pelo STF, tanto mais que ele conta com a presença de José Dirceu.

Prega-se ali a desobediência às decisões do Supremo? Conclama-se ali a população a fazer barricada contra o poder público? Não, nem de longe. Vale lembrar que em todas as manifestações públicas os petistas condenados têm o cuidado de dizer que a decisão do Supremo será obedecida, cumprida etc. Mas isso não significa aceita-la bovinamente, sem discussão, sem debate, sem contestação.

É direito do homem debater, refletir, contestar as decisões do poder – mesmo e sobretudo ali onde ele não tem outra alternativa senão obedecer. É esse direito que a Gazeta quer cassar. Nem é preciso defender-se dizendo que há muita gente séria da área do Direito, e não necessariamente petista, que tem apontado graves problemas no julgamento. Isso não é necessário. Pois trata-se aqui de defender o simples direito ao debate.

Por isso, o que é grave não é que a Gazeta manifeste sua contrariedade com o evento – é direito dela não gostar de algo ou alguém. O que é grave – gravíssimo – é a ameaça explícita contra aqueles que ousarem comparecer ao evento: “Os paranaenses terão a oportunidade de saber quem valida o modus operandi dos mensaleiros”, diz a Gazeta, ameaçadora. Ai de você se comparecer ao debate: a Gazeta dirá aos paranaenses quem é você! Talvez publique uma foto sua com uma faixa diagonal, com seu nome, endereço, telefone e uma legenda: “quadrilheiro”, “corrupto” ou coisa pior. Cuidado!

Que fique claro o que está por trás desse afã persecutório: não é José Dirceu que a Gazeta persegue, é você! É seu direito de debater, discordar, se exprimir – seu direito ao livre pensamento e expressão. Pois você pode não gostar de José Dirceu e ainda assim discordar do julgamento ou simplesmente querer debatê-lo. A Gazeta não vai perdoá-lo por isso.

Daí por que acredito que os organizadores tenham apenas parcialmente razão quando divulgam o evento como um “ato em defesa do PT”. Evidentemente, para além de José Dirceu e de José Genoino, é o PT que é visado pelos perseguidores. Basta ver o que passou a significar, nas páginas dos jornais, o termo “petista”.

Mas eu acrescentaria, diante desse afã persecutório, que é sobretudo um ato em defesa do livre pensamento e expressão. Talvez eu não goste de José Dirceu, talvez eu não goste do PT – isso já não vem ao caso –, mas certamente detesto que me ameacem e tentem cassar meus direitos.

Fim

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Redação dissertativa 645: Tema: manifestação pública.Tópicos: redação dissertativa pronta, julgamento no STF da AP 470, mensalão, solidariedade, militantes, condenados, poder público, discussão, decisões do poder, julgamento, direito ao debate, contrariedade, modus operandi, mensaleiros do PT, quadrilheiro, corrupto.